A desigualdade de raça no acesso da população pontenovense ao ensino superior

Uma combinação de dados para a produção de indicadores sociais é uma capacidade importante para os usuários que buscam analisar como as condições de vida específicas da população. Ela permite apontar para problemas que não estão perfeitamente evidentes aos olhares dos dirigentes municipais, estimulando a reflexão de soluções e propostas de intervenção.

O quadro da série Perfil Socioeconômico, tema Educação, trata a respeito do perfil dos candidatos pontenovenses ao Enem do ponto de vista do critério de cor / raça, buscando explorar as características populacionais e sociais subjacentes à decisão de ingresso no ensino superior.

A primeira análise a ser extraída, como pelo gráfico gráfico 1, evidencia a manutenção estrutural da distribuição dos candidatos pela variável. A cor parda mostra-se como a cor / raça mais declarada pela população ao longo dos anos, correspondente em 2016, seu nível máximo, a 41,31% dos candidatos. Em segundo lugar, destaca-se a cor branca, que tem aumentado em termos percentuais a partir de 2017, respondendo por 38,27% do total de candidatos em 2019. Os candidatos que se declararam pretos, por sua vez, passaram por um processo de queda na composição entre 2015 e 2018, encerrando 2019 com um percentual inferior ao início da série. Amarelos e não declarados ao longo do período um baixo percentual, encerrando 2019 com 2,25% e 1,58%, respectivamente.

A observação da composição das candidaturas ao Enem por cor / raça trazida pelo OPN contribui para compreender padrões de desigualdade no sistema educacional. Uma análise serve também de insumo para embasar ações que tornem mais efetivos os dispositivos do sistema de cotas para acesso à universidade, constituindo um possível campo de atuação do poder público municipal, no sentido da melhor orientação dos estudantes. Estes elementos, se benefício de forma técnica, como se propõe neste quadro, permitir o debate público a respeito da desigualdade, ajudando a compreender a importância de promover uma universidade com maior diversidade de cor / raça. Tal necessidade se justifica pelas condições desiguais de vida da população e pelo enorme potencial da educação na superação dessas condições.

Um recorte analítico pertinente a este debate se vincula à influência da escolaridade dos pais na decisão dos filhos de incorrer em mais anos de estudo. A mensuração desta influência, estudada na literatura de origem familiar , se observada à luz dos critérios de cor / raça permite avançar em interessante sobre como perspectivas e limites da política de acesso ao ensino superior no combate às desigualdades.

Aplicado ao caso de Ponte Nova torna-se possível observar os diferenciais em termos de comparecimento entre cada grupo, categorizado pelo critério de cor / raça. O gráfico 2 examina a decisão de comparecimento (e consequente realização do Enem) pelos candidatos, considerando a cor / raça e delimitando apenas para os candidatos que realizaram o exame no ano de conclusão do ensino médio. Os resultados demonstram, dentre os três grupos majoritários, uma característica diferença percentual entre brancos, de um lado, e negros e pardos de outro. Apenas 8,45% dos candidatos brancos não compareceram ao Enem; sendo este número de 16,22% para pardos e 18,01% para negros.A desigualdade se manifesta, portanto, entre grupos raciais e sinaliza as dificuldades de inclusão já na porta de entrada do sistema de ensino superior.

Avançando uma análise para a consideração do fundo , ou seja, da influência dos pais na decisão de estudo dos filhos, torna-se útil considerar o grau de escolaridade dos responsáveis ​​e a sua distribuição entre os grupos pelo critério de cor / raça e também pela decisão de comparecimento ao exame. A literatura sobre educação fundamental que pais / responsáveis ​​com maior grau de escolaridade tendem a influenciar os filhos a continuar os estudos; há também o efeito da percepção das melhores condições de vida advindas de mais anos de educação, haja vista o “prêmio salarial” publicado por requerer mais educação, a partir de melhores empregos e oportunidades.

No caso de Ponte Nova, por meio da análise do status de comparecimento nas edições do Enem, foi possível identificar níveis inferiores da escolaridade dos pais responsáveis ​​no grupo que não compareceu ao exame. Neste recorte, apenas 3,63% dos candidatos que não compareceram possuíam mães com graduação completa; frente aos 19,9% dos candidatos que compareceram. No caso dos pais ou responsáveis ​​paternos, este percentual cai para 1% no primeiro grupo e 11,6% no segundo. Tais diferenciais fornecem, portanto, convergências em relação ao referido campo de estudos da política educacional, conferindo insumos para investigações mais profundas nesta área.

* Nota

A imagem em destaque é proveniente do Pixabay.

Agradecimentos a Capri23auto.

 

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