A educação básica em Ponte Nova

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2019 demonstrou resultados satisfatórios para duas das três etapas de ensino das escolas públicas de Ponte Nova. O indicador, dividido em três níveis – anos iniciais (1º ao 5º ano), anos finais (6º ao 8º ano) e ensino médio – apresentou convergência de nota em relação à meta nos anos iniciais (6,1; com meta de 6,1) e superou as expectativas para o ensino médio (3,7), obtendo a nota de 4,0 nesta faixa de ensino.

Para os anos finais do ensino fundamental, no entanto, o IDEB de Ponte Nova mostrou um resultado preocupante, alcançando apenas a nota 4,0 frente à meta de 5,0 pontos, evidenciando um grande distanciamento entre os desempenhos observado e previsto.

Já no comparativo com a divulgação anterior (2017), os resultados do IDEB pontenovense apresentaram alta em todos os níveis de ensino, evidenciando uma evolução global da educação pública fornecida no município. A análise das séries históricas, no entanto, expuseram novamente as fraquezas da educação nos anos finais do ensino fundamental, tendo sido observada uma queda sucessiva do índice em 2015 (4,2) e 2017 (3,9), após a sua máxima de 4,3 pontos em 2013.

Cabe ressaltar ainda que o desempenho do ensino fundamental de Ponte Nova, medido pelo IDEB, a despeito de apresentar elevação em 2019, apresentou-se de forma estagnada nas três edições anteriores. Esta condição permite levantar questionamentos sobre quais medidas passaram a ser adotadas para a melhoria da qualidade do ensino, na expectativa de debater a sua ampliação e continuidade nas próximas gestões.

O IDEB do ensino médio, por sua vez, apresentou considerável elevação de 0,5 pontos entre 2017 e 2019, espelhando, muito provavelmente, a qualidade do ensino fornecido pelo Instituto Federal de Ponte Nova. O caráter agregado deste índice, no entanto, não pode ofuscar a necessidade de se observar o fornecimento da educação pela rede estadual, que conta com menos recursos e apresenta maiores dificuldades inerente à sua gestão.

Os anos finais do ensino fundamental

Os fracos resultados do IDEB de Ponte Nova para a faixa de ensino do 6º ao 9º ano devem servir como um alerta aos dirigentes do município e aos responsáveis diretos pela formulação e implementação da política educacional, estimulando-os à reflexão dos motivos do mau desempenho e as ações necessárias para mitigá-lo.

A análise da série histórica do referido resultado do IDEB apresenta conforme o Gráfico 3a um movimento de inversão, com a nota observada se descolando em um patamar inferior à meta do indicador para o município. No Gráfico 3b, desagregando o índice entre as redes estadual e municipal, é possível observar também os respectivos movimentos de queda a partir dos anos de 2013 e 2015. Tal comportamento pode ser mais bem investigado por meio da análise dos componentes do IDEB, na busca pela compreensão da raiz do problema.

 

A decomposição do IDEB pontenovense

A lógica de mensuração do desempenho da educação básica expressa pelo IDEB se dá por meio de dois propósitos: i) a mensuração do desempenho dos alunos e ii) a observação do rendimento escolar. Pelo primeiro componente busca-se captar o aprendizado, sendo esta dimensão obtida pela nota dos alunos na Prova Saeb e na Prova Brasil. Já pelo segundo, objetiva-se mensurar o fluxo escolar, analisando o inverso do tempo médio levado pelos alunos na conclusão de cada série de ensino (informações completas sobre a forma de cálculo podem ser obtidas aqui). O resultado final do Ideb se dá, desta forma, pelo produto dos dois parâmetros enunciados.

A taxa de aprovação

O componente de aprovação do IDEB (o inverso do tempo médio de conclusão de cada série de ensino) calculado para Ponte Nova apresentou ao longo das edições do indicador um movimento ascendente entre os anos de 2005 e 2013. Tal comportamento, analisado para nove [1] das 13 escolas públicas elencadas expressou-se no período por meio da progressiva elevação do componente, com médias do indicador de rendimento saltando de 0,64 para 0,83. Esta trajetória se refletiu, portanto, como foi possível analisar no Gráfico 2, na elevação do IDEB no mesmo período, demonstrando um avanço no fluxo dos alunos entre os anos analisados.

A partir de 2013, no entanto, o indicador de rendimento das escolas pontenovenses passou por uma queda generalizada tendo sido observadas quedas sucessivas em cinco das nove escolas analisadas. Esta direção pode ser caracterizada também pela redução da média do componente, passando dos 0,83 alcançados em 2013 para 0,69 em 2019. Para compreender este movimento se faz necessário averiguar a taxa de aprovação dos alunos em cada escola e em cada ano.

Os Gráficos 5a e 5b apresentam a redução em pontos percentuais na taxa de aprovação dos alunos em cada escola, analisando respectivamente, as variações entre 2013 e 2015; e 2015 e 2017. No primeiro gráfico, além da perceptível queda generalizada na aprovação, destacam-se também os fracos desempenhos das escolas EE Caetano Marinho e EE Professor Raymundo Martiniano Ferreira. As quedas mais acentuadas se deram, sobretudo, no 6º, 7º e 8º anos, indicando a redução no fluxo de alunos e apontando para os desafios no que tange à aprovação. Chama ainda a atenção no gráfico, a incidência de aumentos nas taxas de aprovação para todas as séries em apenas duas escolas, EM Senador Miguel Lana e EM José Maria da Fonseca; ambas de gestão municipal.

Ainda a respeito do componente de aprovação, observa-se no Gráfico 5b uma aparente inversão das tendências para a divulgação do IDEB anterior, com inversões e quedas acentuadas nas três escolas municipais e quedas de menor magnitude nas demais séries/escolas. Destaca-se ainda em 2017, a recuperação dos resultados pela EE Professor Raymundo Martiniano Ferreira, com aumento nas taxas de aprovação em todos os seus anos letivos.

O desempenho dos alunos

O outro componente do IDEB, a nota média padronizada dos alunos na prova Saeb, calculado para Ponte Nova, apresentou por sua vez, uma trajetória inicial similar ao indicador de rendimento, crescendo em termos médios de 4,75 a 5.19 entre 2005 e 2011. No ano de 2013, no entanto, o parâmetro retrocedeu para o valor médio de 5,00 pontos, o que não se refletiu em queda no resultado do indicador, em função de uma considerável alta no componente de rendimento.

 De 2013 a 2017, conforme evidenciado pelo Gráfico 6, o componente de desempenho dos alunos apresentou um comportamento de correção, retornando ao patamar de 2011 e se estagnando nos anos seguintes. A nota dos alunos do Saeb, portanto, não pode ser apontado como o parâmetro causador da queda de tal faixa do IDEB pontenovense, descartando a possibilidade de ocorrência de grandes falhas no processo de aprendizado.

Outra análise de grande valia para os dirigentes municipais e os profissionais da educação, se dá pela decomposição do desempenho em termos das disciplinas do Saeb. A formação do componente, como se sabe, é baseada na nota dos alunos nas provas de português e matemática, consideradas como proxies na análise da qualidade do aprendizado. No caso de Ponte Nova, a partir desta decomposição, torna-se possível constatar dentre as duas provas, o melhor desempenho generalizado dos estudantes na disciplina de matemática (Gráficos 7a à 7i), o que em alguns casos torna-se muito além dos resultados da prova de língua portuguesa [1].

Por outro lado cabe observar o surpreendente progresso efetuado pela EM José Maria da Fonseca no que tange ao desempenho dos alunos na disciplina de Língua Portuguesa. Desde o início da série em 2005, a referida escola manteve um ganho estrutural nas notas dos alunos, elevando em mais de 30 pontos o seu resultado em 2019. Este movimento, além de simbolizar um importante ganho para a educação municipal permite levantar reflexões sobre as ações adotadas pela escola no que tange ao processo de ensino e aprendizado da língua portuguesa.

Ainda neste quesito torna-se importante analisar o comparativo do desempenho de tal componente dentre as escolas pontenovenses no IDEB 2019. O Gráfico 9 apresenta o resultado para 10 das 13 escolas públicas com oferta do referido ensino no município, revelando o destaque para a EM José Maria da Fonseca, seguida da EE Carlos Trivellato. Com o pior rendimento, por sua vez, ficou a EE Professor Antônio Gonçalves Lanna.

Conclusões

A análise empreendida aqui, com especial atenção ao resultado das escolas pontenovenses no IDEB visou trazer importantes apontamentos sobre o cenário da educação básica no município. Como primeiro achado cabe destacar a trajetória de progresso da educação nas séries correspondentes ao primeiro ciclo do ensino fundamental e ao ensino médio, tendo a primeira demonstrado um crescimento de desempenho após três anos de estagnação no indicador.

No que tange ao ensino médio a presente análise permitiu observar um ganho considerável na nota do IDEB, o que pode se explicar, especialmente pela implantação do Campus do IFMG em Ponte Nova, advindo o resultado de um ensino federal com maior qualidade. Apesar dos ganhos no Ideb desta faixa de ensino e do efeito positivo do Campus para o município é preciso não perder de vista a importância de se fortalecer o ensino da rede estadual, cobrando dos dirigentes municipais a capacidade de articulação com a Secretaria Estadual de Educação, no sentido da mobilização de recursos e investimentos para as escolas do município.

Como maior enfoque desta análise, por sua vez, figurou a observação do desempenho das escolas no IDEB relativo aos anos finais do ensino fundamental. A trajetória de queda que estimulou o esforço de decomposição do indicador apresentou como motivo central a queda do componente de rendimento dos alunos, o que significa em outros termos, a queda da taxa de aprovação nas escolas. Do ponto de vista da gestão da política educacional, esta observação constitui um importante apontamento para o município no que diz respeito à necessidade de envolvimento da comunidade escolar no diagnóstico deste problema e busca por soluções capazes de recolocar a educação do referido ciclo em uma trajetória de efetivo fluxo e aprendizado.

Referências

[1] As escolas EE Coronel Cantídio Drumond, EM Municipal Reinaldo Alves Costa e EM José Maria da Fonseca demonstraram, ao longo do período, grande discrepância entre as notas de Língua Portuguesa e Matemática; apesar de esta última escola ter se destacado pelo progressivo avanço na disciplina de Língua Portuguesa.

[1] Foram analisadas apenas as escolas com valores divulgados para todos os anos da série.

* Nota

A imagem em destaque é proveniente do Pixabay.

Agradecimentos a ReadyElements.

 

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