Pobreza menstrual: relato sobre uma campanha de distribuição de absorventes em Ponte Nova

Vivemos em um país em que os cuidados com a menstruação são tratados como luxo. Isto posto, por influência do meu colégio e ajuda da vereadora Suellen Nascimento aqui de Ponte Nova, resolvemos fazer a nossa parte para ajudar as meninas e mulheres a terem o mínimo que precisam e também levar a informação para toda a sociedade no intuito de trazer visibilidade a essa questão.

Eu, Eduarda Carvalho, e Suellen fizemos uma campanha durante um mês para arrecadar absorventes. Para isso, publicamos posts em nossas redes sociais e conseguimos cerca de 1600 absorventes e alguns itens de higiene pessoal. O que mais me deixou contente com essa ação foi a felicidade e satisfação das mulheres em receber algo que deveria ser tratado como o básico! 

Não é novidade que não é nem metade do que podemos conquistar. Espero que o apoio à higiene menstrual (que vai muito além do ato fisiológico, englobando social e econômico) se torne uma realidade concreta em um futuro próximo, isso com certeza me deixa esperançosa a cada projeto relacionado ao assunto como a OPN, do qual fico muito honrada de participar.


Continuando a abordagem sobre a pobreza menstrual realizada pela equipe do observatório (o leitor do OPN pode conferir o nosso estudo acerca do assunto AQUI), nada melhor que conhecer as experiências de alguém que entende do assunto na prática. A seguir, tem-se uma entrevista com Eduarda Carvalho, estudante do Ensino Médio de Ponte Nova. Eduarda participou em 2021 de uma campanha para a arrecadação e entrega de absorventes em comunidades vulneráveis. 

1- Com base na sua experiência, quais são os grupos de mulheres mais afetadas com a ausência de infraestrutura básica de saneamento e de recursos básicos de higiene?

O grupo de mulheres que são mais afetadas é aquele com ausência de infraestrutura básica, recursos básicos de higiene e com certeza as mulheres com baixa renda, que moram em periferias. Também são muito afetadas as mulheres que vivem em presídios, que também tem uma condição bem precária de recursos básicos de higiene. Com base em minha experiência eu presenciei o fenômeno da pobreza menstrual apenas em mulheres de baixa renda, mas existe um livro que se chama “Presas que menstruam”, que aborda a respeito de como as mulheres que vivem em presídios são tratadas como homens, não sendo vistas as suas necessidades dentro dos presídios.

2- Falando sobre pobreza menstrual, que consiste numa terrível situação de vulnerabilidade econômica e social, o que você considera como a(s) causa(s) geradora(s) desse problema?

Eu acho que uma das principais causas geradoras de problema com certeza é o patriarcado e o machismo que considera a pobreza menstrual como um problema irrelevante, pelo próprio fato de ser um problema passado apenas pelas mulheres. Há uma consideração por parte da sociedade de que esta questão é uma bobeira, uma coisa fútil, não sendo dada a devida importância que a causa realmente merece. Outro dia eu vi uma tirinha que retrata muito bem isso, mostrando como seria se os homens passassem por isso.

3- Gostaria que você pudesse compartilhar um pouco da sua experiência de atuação no assunto. A partir disso, de que maneira o poder público poderia auxiliar projetos que ajudam mulheres em situação de pobreza menstrual?

Quando eu estava estudando sobre isso para passar a informação, eu percebi que números são uma coisa. Mas quando a gente vê pessoalmente como realmente faz falta, como que as mulheres ficaram agradecidas com isso é totalmente diferente.

Você percebe que realmente tem gente que tem a necessidade e que isso realmente é uma necessidade que devia ser suprida. E eu acho que para auxiliar mesmo devem ser feitas arrecadações e com certeza o principal fator para auxiliar a resolução desse problema é dando voz a ele, porque assim será possível abrir os olhos de mais pessoas e haverá uma luta maior para resolver essa questão. Muita gente nem imagina, nunca pensou a fundo sobre isso, então acho que dar voz com certeza é a melhor saída para ajudar e para o governo ver o que está errado e precisa ser mudado.

*Disclaimer: As respostas da entrevista são de responsabilidade do(a) entrevistado(a), não refletindo, necessariamente, a opinião do OPN.

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