[Editorial FPN] ‘Quem vê cara não vê depressão’

A expressão é de Guto Malta/PT ao comentar na Câmara/PN, em 4/10, o caso da mulher de 33 anos que desapareceu nas águas do rio Piranga naquela manhã, em Palmeiras. Os bombeiros localizaram o corpo em 6/10, na margem do rio, nas imediações da Fazenda Gravatá/Rasa, com a Polícia Militar encerrando o caso com indicativo de suicídio.

O fato, logo depois do Setembro Amarelo (dedicado à prevenção do suicídio),  é exemplo de que o tema precisa ficar em evidência o ano inteiro. Não por acaso, todos os vereadores do nosso Legislativo se uniram em torno do projeto que institui a Política de Combate ao Suicídio em Ponte Nova.

Os números globais são chocantes: trata-se da 13ª causa de morte no mundo, vitimando mais de 800 mil pessoas/ano; é a 2ª causa de morte de jovens de 15 a 19 anos; há de 10 a 20 tentativas para cada suicídio consumado; e o impacto nos sobreviventes envolve consequências emocionais, sociais e econômicas.

A Associação Brasileira de Prevenção e Estudos do Suicídio/ABPES cobra ações sistematizadas de estratégias preventivas, envolvendo segmentos de saúde, educação e segurança, mais as ONGs e lideranças comunitárias. Destaque para o fortalecimento da Rede de Saúde Mental para atendimento precoce e adequado de pessoas com transtornos.

A ABPES aponta ainda para a prioridade em capacitação de profissionais de saúde e de outros setores para identificação e atendimento de pessoas em risco. O foco deve estar também em vítimas de violência e naquelas que são dependentes de álcool e outras drogas ou são hipocondríacas (têm mania de doença e automedicação).

No universo jovem, diz a entidade, há que se investir na capacitação de pessoal da educação para identificar alunos em risco, mobilizando para isso uma rede de apoio (familiares, amigos e outros).

“A sociedade deve conversar sobre o assunto sem julgamento e sem minimizar as queixas, identificando serviços de ajuda, a exemplo do Centro de Valorização da Vida/CVV, e fortalecer fatores de proteção (vínculos sociais e habilidades de resolução e reforço da autoestima)”, continua o texto da ABPES, ao dedicar um parágrafo para a mídia:

“Deve-se abordar o tema de forma responsável, ter cuidado ao interpretar dados estatísticos e não fazer alarde ou sensacionalismo, além de não publicar fotos, detalhes de métodos ou cartas de despedida, entre outras providências.”

*Disclaimer: Este editorial foi elaborado pela equipe da Folha de Ponte Nova na edição 1679 e integra a coluna da FOLHA no blog do OPN. As informações contidas neste editorial não refletem, necessariamente, a opinião do OPN.

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