[Editorial FPN] Nossa história

Em nossa pesquisa anual sobre a história de Ponte Nova, deparamos invariavelmente com dados pitorescos e/ou essenciais para compreensão geral. O fato é que, já no ano de 1698, havia registro da passagem, pelo “Sertão do Guarapiranga”, do bandeirante Antônio Rodrigues Arzão, subindo pelo rio Doce desde o Espírito Santo.

Este fato – mais a ocupação de algumas regiões no início dos anos 1700 – resultaram na concessão de sesmarias para a formação de fazendas, destinadas a abastecer Mariana e Vila Rica. Um dos sesmeiros, o padre João do Monte de Medeiros, instalou em 1770 uma capela (no local da atual Igreja Matriz/Centro Histórico), em retorno da qual surgiu a vila primitiva.

Neste contexto, pesquisadores vêm defendendo, ao longo de anos recentes, que deveríamos contar o início da fundação de Ponte Nova a partir daquela data (e não após 1866, data da emancipação político-administrativa), o que valeria dizer que Ponte Nova estaria neste ano comemorando 251 anos.

Outra faceta da história: a data anual da comemoração do aniversário da cidade, em 30/10, só se consolidou no final dos anos 1960, num projeto do vereador José Alves Pereira. Até então, realizavam-se as festividades no Dia do Padroeiro – São Sebastião (21/1).

No final dos anos 1940 e nos anos 1950, o Instituto Pontenovense de História, dirigido pelo professor e pesquisador Jarbas Sertório de Carvalho, tentou sem sucesso a mudança do nome do município de Ponte Nova para Atalaia (do tupi-guarani: “lugar elevado de onde se observa ou se vigia”).

Contando com arte do heraldista Alberto Lima, Jarbas conseguiu em 1961 a oficialização da Bandeira de Ponte Nova (nas cores  verde, amarela, branca e vermelha). Em seguida, o Instituto idealizou o Brasão de Armas de Ponte Nova, tendo um indígena ao lado de um bandeirante.

Ainda não se discutiu na cidade a mudança do brasão, embora pelo Brasil afora releva-se a necessidade de não se verem os bandeirantes como heróis, e, sim, como homens que, ao explorarem o território nacional, “capturavam e escravizavam indígenas e negros encontrados pelo caminho, quando não os matavam em confrontos sangrentos, dissipando etnias. Estupraram e traficaram mulheres indígenas, além de roubar minas de metais preciosos nos arredores das aldeias” (UOL Notícias, de 6/2020).

Fica aqui a nossa provocação para o debate.

*Disclaimer: Este editorial foi elaborado pela equipe da Folha de Ponte Nova na edição 1682 e integra a coluna da FOLHA no blog do OPN. As informações contidas neste editorial não refletem, necessariamente, a opinião do OPN.

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