[Editorial FPN] Quantas mais?

Falar sobre o feminicídio e suas causas e como evitá-lo é fundamental para promover uma educação que respeite as mulheres e diminua os crimes de gênero. Abordar o respeito, a igualdade de gênero e os direitos das mulheres e esclarecer dúvidas são medidas que devem começar ainda na escola.

O raciocínio acima é essencial para compreensão do cenário que, de forma cada vez mais brutal, evidencia ocorrências como a desta semana em Piedade de Ponte Nova (leia na página 13). Via de regra, o agressor radicaliza pela perda do controle sobre a mulher e da propriedade que o agressor julga ter sobre ela.

Nesta perspectiva, cabe à opinião pública tipificar adequadamente esse crime e denunciar agressões e mortes, chamando a atenção para esse fenômeno que tem índices alarmantes no Brasil. Vale dizer, portanto, que as políticas públicas e os processos criminais só serão mais efetivos, transformadores e capazes, evitando as diversas facetas da violência doméstica e, é claro, prevenindo as mortes.

“Essas mortes são evitáveis porque há uma série de violências que são constituintes e antecedentes dela. O feminicídio é a ponta do iceberg, é a consequência. Precisamos, então, ter um olhar muito mais cuidadoso para o que veio antes”, escreveu Carmen Hein de Campos, advogada/doutora em Ciências Criminais.

É importante deixar claro que o feminicídio é gerado por um processo anterior. Há mulheres submetidas a violações sistemáticas e a violências estruturais e, na medida em que esse ciclo não é interrompido, a violência só vai aumentando, salientam os especialistas, citando a perpetuação de atos danosos com repugnantes desfechos fatais.

É imperativo que se coíba, de forma sistemática, a tolerância social às diversas formas de violência contra as mulheres. Deve-se superar a insuficiência dos serviços públicos de atendimento, da segurança e da justiça. É preciso, ainda, extinguir a culpabilização da mulher pela violência sofrida, bem como a sensação de impunidade – e até de proteção – de quem é violento.

Fica aqui o raciocínio de que a sociedade e as instituições devem acelerar atitudes capazes de reverter o crescente número de mulheres que sofrem violência de toda ordem, tais como a violência doméstica, a psíquica, a física, a sexual, a moral e a financeira.

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