O mercado de trabalho formal em Ponte Nova

O mercado de trabalho é um indicativo do desempenho da atividade econômica e reflete o bem-estar da população. Este mercado é dividido entre os trabalhadores formais e informais, sendo que o emprego formal, no Brasil, corresponde ao cumprimento do contrato que estabelece direitos e deveres entre o empregador e o empregado, regido pelas regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em janeiro de 2020, o Brasil passou a adotar uma nova metodologia para o cálculo das estatísticas de admissões e desligamentos no mercado de trabalho formal.

Para acompanhar a dinâmica deste mercado em Ponte Nova, hoje em dia, o novo Caged aparece como a principal fonte de dados oficial, atualizada mês a mês e que permite observar informações de diferentes grupamentos da atividade econômica, bem como diferentes grupos da população local. Informações atualizadas de informalidade no emprego a nível municipal não foram encontradas, tornando o mercado formal o foco da coluna de hoje. Desse modo, o que podemos dizer sobre o mercado de trabalho formal em Ponte Nova?

Entre janeiro de 2020 e setembro de 2021, foram admitidos 8.840 empregados, enquanto 8.158 pessoas foram desligadas, gerando saldo positivo de 682 empregos formais. Esta dinâmica representa 4,5% de aumento no estoque de empregos formais na cidade, cujo total alcança 15.676.

Este estoque de emprego total corresponde a 37,3% da população ponte-novense, cuja faixa etária abrange idades de 15 a 64 anos. Segundo o estudo de estimativas populacionais para os municípios, disponibilizado pelo DataSUS, a população desta faixa etária alcança o total de 41.978 habitantes.

Grandes grupamentos da atividade econômica

Dentre os grandes grupamentos de atividade econômica, o setor de serviços parece ser o mais impactado nos primeiros meses da pandemia. Entre março e dezembro de 2020, o setor registrou saldo negativo de 86 postos de trabalho. Ainda assim, no período correspondente de janeiro de 2020 a setembro deste ano, o saldo do setor foi positivo, 178, com estoque de 5.460 empregos formais.

O grupamento que mais se destacou no período foi o da Indústria, com um saldo positivo de 327 empregos, aumento de 10,1% no período, chegando aos atuais 3.574. Aqui vale citar a Indústria da Transformação, representada, em grande parte, pela fabricação de produtos alimentícios. Esta divisão, classificação da CNAE 2.0, garantiu um saldo de 328 empregos formais desde o início de 2020, alcançando um estoque de 3.546 vínculos celetistas ativos.

Vale destacar, também, o grupamento ‘construção’. O setor gerou um saldo de 237 empregos, aumento de 24,1% em relação a dezembro de 2019, registrando em setembro de 2021 a marca de 1.221 vínculos totais. Em termos de pior desempenho está o setor de Comércio, o único com perda de postos de trabalho, 54 vínculos a menos no período, redução de 1,1% no período, catalogando 4.831 totais.

Grau de instrução, sexo e faixa etária

Além de avaliar as diferenças entre variados setores econômicos, observar a dinâmica em diferentes grupos sociais pode oferecer bons apontamentos. O novo Caged possibilita analisar tal dinâmica segundo graus de instrução, por exemplo. O grupo que mais se destacou, neste segmento, foi o de pessoas que completaram o ensino médio, mas não possuem ensino superior. O saldo para este grupo no período analisado corresponde a 375 novos vínculos ativos. Por outro lado, o grupo de pessoas que não possuem o ensino fundamental completo foi o mais afetado, com um saldo negativo de 13 empregos, ou seja, o número de desligamentos foi maior que o número de admissões.

Ademais, para o período analisado, apesar de mais homens terem sido admitidos (5.657 homens ante 3.183 mulheres), o saldo é maior para o sexo feminino, cujo valor corresponde a 376 empregos formais ante o saldo positivo de 306 vínculos para o sexo masculino.

Por fim, em relação ao saldo de empregos por faixa etária, destaca-se o saldo positivo de 628 vínculos para o grupo de 18 a 24 anos e o saldo negativo de 255 vínculos para o grupo de 50 a 64 anos, demonstrando que a parcela mais experiente do mercado de trabalho pode ter sido a mais prejudicada no período analisado.

Luis Felipe Araújo

Economista e Mestrando em Economia

Gabriel Caetano

Economista e Mestrando em Políticas Públicas

 

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