[Editorial FPN] Drama que se repete

Ponte Nova viveu nesta semana mais um cenário de tensão e tristeza. O rio Piranga, que tanto nos encanta com seu trajeto sinuoso, acordou de novo em sua magnitude revoltando-se contra a ocupação irregular de suas margens. 

É bem verdade que em todo o mundo são regulares os períodos chuvosos e de cheias, mas, como bem se sabe, o impacto ambiental da ação humana – sempre crescente e desenfreadamente agressiva – acelera os eventos adversos que tanto ameaçam a vida no planeta.

Somos vítimas do tão citado aquecimento global, o qual reverte para a terra – com o desbalanceamento dos eventos extremos – a louca escalada de sinistros, mudanças de temperatura e outros fenômenos repetidamente registrados pela Imprensa em todo o mundo.

“Na rotina, as enchentes são eventos naturais dos rios. Eles sempre se enchem nos períodos das chuvas e se esvaziam nos períodos das secas”, informou, em recente entrevista, o arquiteto paisagista Paulo Pellegrino, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo/USP.

Lembremos que há diferentes tipos de alagamentos e inundações, entre eles os causados por erros de planejamento humano, especialmente quanto à ocupação do solo, às intervenções sem o devido planejamento e, é claro, ao desmatamento sem fim.

Voltemos a Ponte Nova

Nossa comunidade convive com as enchentes do Piranga desde o início da sua ocupação, em meados de 1750. Construiu-se uma ponte, levada pelas enchentes e destruída por ataque dos indígenas, até que se ergueu uma “ponte nova”, na segunda metade dos anos 1700, seguindo-se, porém, as cheias.

Avalia-se que este fenômeno natural tenha sido exacerbado, se podemos dizer assim, tanto pela ocupação ribeirinha quanto pela construção de barramentos de hidrelétricas, tão denunciadas em tempos recentes. Neste aspecto, as reflexões são intensas e já mereceram bastante espaço em nossas páginas ao longo de nossos 33 anos.

Começamos agora nova etapa de reconstrução. Crendo que, em cada sinistro da natureza, há lições a serem compreendidas, estamos ao lado dos que atuam no enfrentamento da crise e na busca da reorganização da cidade, sabendo que outras enchentes virão.

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