[Editorial FPN] Volta às aulas

Em clima de Covid em alta e de surto de gripe H2N3, o retorno às aulas gera
preocupações. E que preocupações! As escolas anunciam protocolos de segurança rigorosos e
os pais vivem um denso dilema com o medo de infecção dos filhos/estudantes e a constatação
dos prejuízos causados pelo isolamento social desde o início da pandemia.
O pano de fundo são a reprovável demora do Governo Federal em começar a vacinação
infantil – autorizada pela Anvisa em meados de dezembro – e a postura retrógrada de não se
cobrar oficialmente a obrigatoriedade da imunização.
Neste cenário, só nesta semana iniciou-se, em Ponte Nova, por exemplo, a vacinação de
crianças com idade acima de nove anos e a imunização de quem tem até 11 anos segue
aguardando estoque de vacinas para garantir a 2ª dose.
O debate é complexo. Na semana passada, a Organização Pan-Americana de Saúde
divulgou informe segundo o qual a garantia do retorno seguro para as escolas no início deste
ano é urgente, mas para isso é necessária uma alta taxa de vacinação infantil.
Já a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore, disse à imprensa nacional o seguinte:
“Mantenham as escolas abertas, crianças não podem esperar! O ideal seria o Brasil ter a
estrutura de países que implementaram a política de testes rápidos em massa para a
permanência nos ambientes escolares.” Nosso país, no entanto, não tem política de testagem
semelhante.
Em meio a tão significativo drama, sabe-se que é preciso investir na retomada da
aprendizagem. Afinal, apesar dos grandes esforços de professores e escolas, muitas crianças e
muitos adolescentes não conseguiram ter acesso adequado à educação longe das salas de
aula.
“No Estado de São Paulo, por exemplo, os estudantes aprenderam, nas aulas on-line,
apenas 28% do que teriam aprendido em aulas presenciais, e o risco de abandono ou evasão
escolar mais que triplicou”, como concluiu estudo de outubro de 2021 feito por pesquisadores
do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O estudo foi mencionado em 31/1 em nota da Unicef com este alerta: é urgente ir atrás
de quem abandonou a escola ou não conseguiu aprender adequadamente na pandemia.
Reverter esse cenário – que afeta principalmente as crianças mais vulneráveis – só é possível
com estratégia vigorosa de retomada da aprendizagem.

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