Dilemas para a retomada da educação em Ponte Nova

Com o retorno às aulas presenciais e o avanço da vacinação infantil, abre-se um novo capítulo para a educação ponte-novense: o complexo desafio de reconduzir a educação ao seu cenário realista, sem deixar de considerar, de um lado, os legados da pandemia, e de outro, os desafios estruturais anteriores a ela.

A equipe do OPN destaca a percepção da FOLHA, em seu último editorial, quando escreve: “é preciso investir na retomada da aprendizagem”. Acrescentamos agora ao debate a importância de observar as variáveis de fluxo (abandono, aprovação e reprovação), tão importantes para analisar a permanência dos alunos na escola.

Nesta coluna, analisamos brevemente a situação do Ensino Médio (EM) da rede pública do município, utilizando os dados do Censo Escolar (ver o gráfico). 

Antecedentes. Em 2019, Ponte Nova apresentou uma elevada taxa de reprovação (23,1%) na rede pública do EM, mantendo o padrão dos anos anteriores: 2017 (23,6%) e 2018 (18,9%). Os dados do contexto pré-pandêmico contrastam com os dos demais níveis: Minas Gerais (11,7%) e Brasil (10%). A taxa de abandono no município (2,7%), por sua vez, apresentou um resultado relativamente baixo, suavizando um pouco as perdas da taxa de aprovação (74,2%). Mas o que isso significa? Significa que a cada 1000 alunos ponte-novenses do EM da rede pública, 742 foram aprovados, 27 abandonaram a escola e 231 foram reprovados em 2019.  

Pandemia. Com as dificuldades de adaptação ao ensino remoto emergencial e os impactos deste modelo no processo de ensino aprendizagem, o Conselho Nacional de Educação (CNE) orientou as redes a não reprovarem os alunos em 2020, considerando a adequação dos objetivos de aprendizagem efetivamente cumpridos, visando assim minimizar o abandono e a reprovação. Este efeito foi parcialmente alcançado em Ponte Nova, como espelham os dados de 2020: apesar da queda da taxa de reprovação (3,9%), houve uma explosão da taxa de abandono escolar (14,7%) (como já alertado pelo OPN em Nota Técnica). A taxa de aprovação deste ano aumentou para 81,4%. 

De agora em diante. Apesar de não dispormos ainda dos dados de 2021, muitas reflexões emergem desta comparação. Os históricos e já conhecidos desafios das redes públicas do EM podem se acentuar ainda mais com os dilemas em torno da garantia do fluxo escolar e da flexibilização do aprendizado. Em Ponte Nova, como foi possível observar, tal flexibilização não garantiu, em grande parte dos casos, a continuidade do fluxo. A crise econômica e o elevado custo de oportunidade do estudo frente ao trabalho acabam servindo como um convite para o abandono escolar, comprometendo o esperado impacto da educação na redução das desigualdades. Torna-se cada vez mais necessário atrelar os planos de ação ao acompanhamento destes indicadores. 

Convidamos a sociedade e os dirigentes públicos à reflexão e debate sobre este assunto. 

Fonte: Inep.

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