[Editorial FPN] Sete anos depois…

Passados quase sete anos da tragédia provocada pelo rompimento da Barragem de Fundão/Mariana, prevalece boa parte do embate em prol da mitigação dos graves danos ambientais na Bacia do Rio Doce (incluindo a Sub-Bacia do Rio Piranga). Basta ler as duas notícias da página 3 desta edição: repasse – só agora – de R$ 4,5 milhões para a Prefeitura de Barra Longa; e decisão reconhecendo Ponte Nova como município atingido.

Não por acaso, em 22/6 ativistas promoveram ato público diante da 12ª Vara Federal/VF, em BH, cobrando urgência na reparação (também dos afetados pela lama da Barragem de Brumadinho, há três anos).

“Acordos fechados às escondidas e os valores especulados violam os direitos dos principais sujeitos do crime e transformam o cenário em palanque para novas eleições”, diz a nota divulgada pelo Movimento de Atingidos por Barragens/MAB. Este e suas organizações parceiras denunciaram ainda “descaso do Governo Zema” durante os processos de acordo.

Os manifestantes defenderam suas posições no chamado “processo de repactuação do Caso Fundão”, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça. “Pautada pelos interesses eleitorais e do lucro empresarial, a agenda avança rapidamente nos corredores do Judiciário, das empresas e dos governos”, como citou a nota pública do MAB.

No contexto do protesto, surgiu a notícia de que o juiz Mário de Paula Franco Júnior deixa a 12ª VF (para assumir cargo similar em Macapá/AP), na qual se concentram as ações dos rompimentos das duas barragens citadas. O substituto, juiz Michael Procópio Alves Avelar, assume em 13/7.

Antes de deixar o cargo, Mário de Paula divulgou mais uma lista de indenizações do Sistema Simplificado Novel, definido em acordo com a Fundação Renova. A mudança, todavia, “preocupa os milhares de atingidos que ainda aguardam a homologação através do Novel, implantado pelo juiz Mário [ e sua equipe dedicada exclusivamente às indenizações] há dois anos, conseguindo indenizar cerca de 70 mil pessoas com valores aproximados de R$ 7 bilhões”, informa o jornal “Folha 1”, o qual circula nos municípios de Guandu e Aimorés.

Novos fatos de curto prazo podem (ou não) atender as demandas de atingidos de nossas cidades vizinhas, a exemplo de Acaiaca, Barra Longa, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.